
“O jogo completa seu ciclo”. É o que diz a campanha publicitária de Jogos Mortais VI (EUA, 2009) em cartaz em todo o país. Caso se confirme, representará um alívio. A série emergiu como um thriller policial de sucesso em 2004, quando foi exibido à meia-noite no Festival de Sundance e chamou a atenção de vários estúdios. Rapidamente teve seus direitos de exibição comprados e enfrentou seu teste final: a bilheteria norte-americana, onde mais uma vez obteve sucesso.
Em meio a uma Hollywood, à época, presa em remakes e mais remakes de filmes de terror orientais, não tardou para que os produtores do longa percebessem ali uma nova fórmula de sucesso, além de bastante rentável. A franquia já arrecadou, somente até a quinta edição, mais de 650 milhões de dólares mundialmente. Levando em consideração que as produções nunca ultrapassam o custo de 15 milhões, dá para se imaginar que o lucro não é dos menores.
A qualidade, porém, é inversamente proporcional à sua arrecadação. Se o primeiro e o segundo ainda eram respeitáveis, daí para frente a série apenas desandou. Com essa sexta edição, não é diferente. Estão lá todo o sangue e tripas com os quais o público cativo de Jogos Mortais já está mais do que acostumado, bem como seus irritantes flashs e cortes rápidos. As atuações mereceriam uma coluna a parte, mas por ora, aturar a cara de bunda do ator Costas Mandylor, como o investigador Hoffman, parece ser um teste digno das torturas de Jigsaw - o serial killer que batiza o título do filme. De elogios, permanecem as transições inteligentes e o acréscimo de um contorno político no roteiro. Uma pena que não dure mais do que uma - boa - cena.
Mas o grande problema de Jogos Mortais, contudo, reside mesmo em sua trama: com a visível intenção de lucrar o máximo de uma franquia já esgotada, os produtores não se cansam de ir e vir na linha do tempo do enredo, criando novos fatos apenas para estender o que já estava muito bem explicado desde o início. A ambição é óbvia: conseguir produzir novos filmes. E no final, tudo acaba ficando tão confuso, que mesmo com o filme jogando flashbacks a torto e a direito na história, o quebra-cabeça continua falho, para não dizer burro.
Talvez os produtores precisem de umas aulinhas particulares com Jigsaw. Ou talvez precisem apenas parar de continuar chutando cachorro morto.




ado em um livro medíocre.