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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mais do mesmo, pela sexta vez

“O jogo completa seu ciclo”. É o que diz a campanha publicitária de Jogos Mortais VI (EUA, 2009) em cartaz em todo o país. Caso se confirme, representará um alívio. A série emergiu como um thriller policial de sucesso em 2004, quando foi exibido à meia-noite no Festival de Sundance e chamou a atenção de vários estúdios. Rapidamente teve seus direitos de exibição comprados e enfrentou seu teste final: a bilheteria norte-americana, onde mais uma vez obteve sucesso.

Em meio a uma Hollywood, à época, presa em remakes e mais remakes de filmes de terror orientais, não tardou para que os produtores do longa percebessem ali uma nova fórmula de sucesso, além de bastante rentável. A franquia já arrecadou, somente até a quinta edição, mais de 650 milhões de dólares mundialmente. Levando em consideração que as produções nunca ultrapassam o custo de 15 milhões, dá para se imaginar que o lucro não é dos menores.

A qualidade, porém, é inversamente proporcional à sua arrecadação. Se o primeiro e o segundo ainda eram respeitáveis, daí para frente a série apenas desandou. Com essa sexta edição, não é diferente. Estão lá todo o sangue e tripas com os quais o público cativo de Jogos Mortais já está mais do que acostumado, bem como seus irritantes flashs e cortes rápidos. As atuações mereceriam uma coluna a parte, mas por ora, aturar a cara de bunda do ator Costas Mandylor, como o investigador Hoffman, parece ser um teste digno das torturas de Jigsaw - o serial killer que batiza o título do filme. De elogios, permanecem as transições inteligentes e o acréscimo de um contorno político no roteiro. Uma pena que não dure mais do que uma - boa - cena.

Mas o grande problema de Jogos Mortais, contudo, reside mesmo em sua trama: com a visível intenção de lucrar o máximo de uma franquia já esgotada, os produtores não se cansam de ir e vir na linha do tempo do enredo, criando novos fatos apenas para estender o que já estava muito bem explicado desde o início. A ambição é óbvia: conseguir produzir novos filmes. E no final, tudo acaba ficando tão confuso, que mesmo com o filme jogando flashbacks a torto e a direito na história, o quebra-cabeça continua falho, para não dizer burro.

Talvez os produtores precisem de umas aulinhas particulares com Jigsaw. Ou talvez precisem apenas parar de continuar chutando cachorro morto.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Avoa aí...

Costuma-se dizer que o Cinema e a Publicidade vivem uma duradoura relação carnal. Intensa. E a combinação, aparentemente, funciona. Um desses exemplos de sucesso ocorreu em 2003, quando a Platinum Dunes, empresa do megalomaníaco Michael Bay, encarregou a Marcus Nispel, diretor egresso do ramo publicitário, um de seus mais importantes remakes: O Massacre da Serra Elétrica.

A prática é agora diretamente importada de terras gringas para o Brasil. Chega às telas, em 30 de Outubro, o mais novo candidato a blockbuster tupiniquim do ano: Besouro. Na direção, João Daniel Tikhomiroff, um dos publicitários mais premiados do país e da América Latina e que agora estréia na direção de um longa-metragem comercial. O filme, inspirado pelo livro Feijoada no Paraíso, retrata a história real de Manoel Henrique Pereira, capoeirista conhecido como Besouro Mangangá, que se tornou lenda no Recôncavo Baiano na década de 1920. Ou seja, um bom exemplo de tema que foge um pouco do estereótipo violência-sertão, que tanto se habitou a produzir no país. Além de contar uma parte da história do Brasil que muitos, para não dizer todos, desconhecem. Méritos para Tikhomiroff.

À primeira vista, a qualidade técnica da produção salta aos olhos, algo bastante raro quando com relação ao cinema nacional. O orçamento, um dos maiores do cinema de retomada, ultrapassa a quantia de 12 milhões de reais. Muito bem gastos, por sinal. Para as cenas de luta, que prometem ser o crème de la crème da produção, foi convocado Huen Chiu Ku, coreógrafo responsável pelas lutas de Matrix, Kill Bill e O Tigre e o Dragão. É ou não é uma grana bem investida?

Enfim, depois de tanto merchan - e não, não recebi nada para isso - segue o trailer desta que já é a produção nacional mais aguardada do ano. Vejamos se consegue sobreviver às expectativas.

Espero que sim.


terça-feira, 28 de julho de 2009

Pão e circo

Eu nunca adotei uma postura com relação a governos. Acho besteira de quem o faz. Pátria somos todos nós, e governos nada mais são do que representatividades temporárias. Teoricamente, é claro. Contudo, nossa liderança atual, aquela da estrelinha vermelha, começa a merecer meu enfático repúdio.

Trata-se do Vale-Cultura, anunciado esta semana pelo presidente Lula. Funciona assim: por meio de renúncia fiscal, assim como já ocorre na Lei Rouanet – de incentivo à cultura –, as empresas poderão ofertar, através de operadoras de cartões, um Vale-Cultura no valor de R$50 – semelhante aos atuais vale-refeições. O dinheiro será, em tese, destinado para a utilização em cinema, peças de teatro ou na compras de livros.

Ótima idéia? Eu peço licença para discordar. Em sua coluna semanal na Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein traz aquela clássica analogia utilizada à exaustão em redações de vestibulandos, mas que aqui se encaixa com perfeição: se o Bolsa-Família é o pão, o governo Lula acaba de criar o circo. É a Roma Antiga, mais uma vez, fazendo escola.

Ora, será que a sociedade brasileira definha a tal ponto de precisar de incentivos pagos e concretos para o consumo de uma suposta "cultura"? É a legitimação das ações paliativas em nosso país. Em que é mais fácil criar mecanismos, a princípio, benéficos, mas em que segunda instância trazem uma única razão: o acobertamento de uma deficiência maior. Muito maior.

Essa cultura do paliativo, e perceba o quão a ironia se torna natural neste país da piada pronta, já é assunto mais do que debatido aqui neste humilde blog (na verdade, era tema de nosso primeiro post, nos primódios de 2008) e aparentemente ainda continuará sendo por um bom tempo.

Chega a ser lamentável ter que dizer que em meu país o governo paga a sua entrada de cinema, ou a compra de livros, não porque pretende de fato incentivar a cultura, mas sim porque, do contrário, os mesmos produtos não seriam consumidos naturalmente por seus cidadãos. Educação pra quê? É mais fácil pagar por uma cultura “virtual” que até gerará votos, mas nunca uma melhora real na vida de uma sociedade.

Em todos os detalhes é, de fato, Roma Antiga fazendo escola.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Caiu


Caiu. Simples assim. A obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão caiu.

Talvez a faculdade de jornalismo precise, sim, ser repensada. Mas ao votarem pela não exigência de qualquer diploma que seja ou um mínimo de embasamento teórico que fosse, os ministros do STF deram um duro golpe na comunicação do país. Qualquer pessoa pode escrever, é verdade. Mas o jornalismo vai além. Tem como sua leal missão servir a sociedade. E é na faculdade que o estudante vai ser questionado sobre o lugar comum. Por que isso é assim? Por que não daquele jeito? Jornalismo não é apenas escrever informações e diagramá-las em uma folha barata. Como havia dito, vai além. É enxergar aonde muitos não vêem. Ou não querem ver. É ter, semanalmente, discussões acaloradas sobre ética, por exemplo.

Mas caráter, ética, vem da pessoa, diria você. E eu concordaria. Mas isso vale para qualquer profissão. Em uma faculdade de jornalismo, com um bom material humano, os conceitos morais apenas se lapidam com ainda mais força, de forma concomitante às técnicas de como apurar informações com qualidade e informá-las à população. Mais: questioná-las. Mais ainda: fazer você questioná-las também . Quando desconhecemos o assunto, entrevistamos quem saiba. Precisão e imparcialidade. Esses são os nossos lemas.

Não pense você que eu esteja colocando o jornalista em um patamar acima de reles mortais. Não estou. Mas somos nós as pessoas que estudaram para poder transmitir a você, leitor, a informação mais precisa possível. Permitir, agora, que qualquer um o faça é um desleixo que exibe a falta de compreensão do que realmente é o jornalismo.

Como um mero estudante decepcionado com a decisão, apenas penso: espero não ter que um dia dizer “caiu também” quando o assunto for a qualidade da informação.

domingo, 24 de maio de 2009

Anjos e Demônios

Eu penso que Dan Brown é um autor medíocre. Não, nada de pseudo-intectualismo, mas basta ler qualquer livro do cara e você já leu todos. Ora, uma pessoa que não consegue sair do marasmo, para mim, é medíocre. O que não é necessariamente ruim, fato comprovado pela conta bancária do autor.

Tendo isso como base, Anjos e Demônio, o filme, é algo que tinha tudo para dar certo. Um elenco impecável. Uma equipe de produção impecável. Roteirista e diretor vencedores do Oscar e um orçamento de 150 milhões de dólares. Seu único problema: é baseItálicoado em um livro medíocre.

Se Brown consegue, no livro, mascarar sua trama altamente inverossímil e torná-la aceitável, o mesmo não se reflete na telona. Furos são os de menos. Na verdade não é um filme com furos, mas sim um grande furo com um pouco de filme dentro. Mas como disse, furos são os de menos. Não dá para deixar de notar o quanto a trama se torna – na falta de termo melhor, copiarei o Omelete – trash. Isso mesmo, trash. Coisa digna de esquete de comédia. É trash, é absurdo. Cinema é fantasia. O problema é que a linha que separa o fantástico do ridículo é bastante tênue e Anjos e Demônios, o filme, joga no lado errado.

Serve como passatempo? Certamente. O filme funciona justamente quando tenta se diferenciar do livro, ao abordar tendências atuais, como o Cólisor de Hádrons e o debate equilibrado entre ciência e religião, o que inexistia no material de origem. O problema é que, mesmo assim, ainda existe uma trama medíocre para contar. Santo desperdício.